Zona Portuária do Rio de Janeiro: entre as “conchas vazias” e a potencialidade das dinâmicas criativas urbanas cotidianas

Micael Herschmann, Cíntia Sanmartin Fernandes

Resumo


A partir não só de levantamento de matérias veiculadas na mídia tradicional e de dados socioeconômicos do território, mas também de observações de campo, conversas informais e entrevistas semiestruturadas (realizadas com lideranças, moradores, autoridades, produtores e frequentadores), buscou-se neste artigo fazer um balanço da situação socioeconômica e cultural após a gentrificação da Zona Portuária. Vale salientar que essa área foi considerada em um determinado momento como uma localidade emblemática e estratégica do projeto que procurava converter a cidade do Rio em uma cidade criativa. Nos últimos anos, nesta microrregião, vem sendo possível identificar dinâmicas de articulação e tensão entre investimentos que visam promover megaeventos espetaculares e pequenos eventos culturais que tradicionalmente ocorriam nesta localidade organizados pelos atores através das redes sociais. Este balanço, que coloca em destaque o valor da música ao vivo como uma riqueza que pode trazer benefícios socioeconômicos para a Zona Portuária e para o Rio, visa avaliar o resultado do aprofundamento da crise econômica do país sobre esse território: com a recessão (especialmente do estado do Rio de Janeiro) e as políticas públicas colocadas em curso, essa área vem sofrendo um processo de perda de vitalidade, lançando dúvidas sobre o futuro do projeto de conversão desta metrópole em uma cidade criativa.

Palavras-chave


Comunicação. Cultura. Cidades criativas. Música. Políticas públicas.

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