A VIGÉSIMA PRIMEIRA

Equipe Editorial

Resumo


A pesquisa científica tem demonstrado, em meio à crise sanitária, social e humanitária sem precedentes que atravessamos, ser uma dimensão fundamental para a formulação de ações de enfrentamento à pandemia de covid-19 e para mitigar seus impactos de curto, médio e longo prazos. Não podia ser diferente, posto que o avanço da ciência demarca fronteiras civilizatórias e nos permite entendermo-nos enquanto indivíduos e enquanto sociedade, sujeitos capazes de analisar os nossos problemas em profundidade e de construir soluções para um mundo melhor.

Fomentar a produção de conhecimento científico, revela-se, mais do que nunca, uma chave estratégica para embasar o projeto de um país que almeja a sua soberania. Não resta dúvidas de que é preciso investir, cada vez mais, na ciência e em seus cientistas. E é com esta certeza que a Iniciacom chega à sua Vigésima Primeira Edição e reitera, com muita firmeza, o seu propósito de incentivo à formação de jovens cientistas que fazem suas primeiras incursões nas pesquisas em Comunicação Social, e que generosamente revigoram a área com novas ideias, questões e abordagens.

Esta edição é aberta com trabalhos que enfocam a prática jornalista nos dias atuais. Inicia com o artigo de Aline Barbosa Oliveira, André Luis Barbosa de Oliveira Júnior e Verônica Almeida de Oliveira Lima, intitulado O Jornalista Flexitempo na Pandemia de Covid-19, que busca compreender as mudanças nas rotinas jornalísticas com a implementação do home office, durante a pandemia de covid-19. Na sequência, Ivan Duarte Arcanjo investiga a invisibilidade de jornalistas negros à frente dos telejornais amazonenses, em Jornalismo e Representatividade: A (in)existência de jornalistas negros como âncoras nos telejornais amazonenses. O terceiro trabalho, Narrativas das Fake News: Como os Critérios de Noticiabilidade Explicam a Disseminação de Notícias Falsas, de Amanda Paula Garajau e Franco Dani Araújo e Pinto, reflete sobre os critérios de noticiabilidade que explicam a disseminação de notícias falsas, a partir dos trabalhos da seção Fato ou Fake, do Portal G1. Os autores Isabela Barreiros, Renan Lima e Marli dos Santos, por sua vez, apresentam pesquisa exploratória sobre a percepção de jornalistas sobre práticas tradicionais e novas formas de produção em sites de grandes empresas jornalísticas e da mídia independente, apontando que a aceleração da produção e a acumulação de tarefas são aspectos notáveis no webjornalismo, no trabalho Práticas Jornalísticas em Webjornalismo: Explorando a Mídia Tradicional e a Independente. Em As Ocupações Periféricas Pelo Viés Cultural no Jornalismo Independente, Mariana Lima e Maira Mariano analisam a representação de espaços ocupados em periferias distintas da cidade de São Paulo, no jornalismo independente. O trabalho Da Invisibilização Social à Narrativa Humanizada na Cobertura da Mídia, de Lethícia Dias de Souza e Franco Dani Araújo e Pinto retoma os sequestros do ônibus 174, em junho de 2000, e do ônibus 2520, de agosto de 2019, na Ponte Rio–Niterói, para analisar a cobertura jornalística em ambos os casos. No artigo ‘Café da Manhã’: A Difusão do Conteúdo Jornalístico Por Meio de Podcasts, José Victor Marçal Câmara e Daniela Cristiane Ota buscam entender a utilização de podcast como ferramenta jornalística.

Já no âmbito dos estudos midiáticos, Yasmim Helleen Cunha e Orlando Maurício de Carvalho Berti, em O perfil das rádios educativas do Piauí: desafios, perspectivas e frustrações, trazem um panorama e perfil das rádios educativas do Piauí, a fim de abrir um debate sobre os desafios, perspectivas e frustrações no âmbito da comunicação radiofônica educativa do estado. Por sua vez, em Aplicativo Luneta: Um Produto Alinhado às Novas Práticas da Mobilidade no Ensino-Aprendizagem, Victória Dailly Alves Mineiro apresenta o processo de concepção do referido aplicativo, que configura-se como uma plataforma informativa e de extensão pedagógica vinculada ao Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Em Práticas Educomunicativas No Ganhando Asas: Como Jovens Com Síndrome De Down Se Tornaram Podcasters, Maria Alice Albuquerque Neta, João Cruz Barbosa Neto, Andrea de Lima Trigueiro de Amorim e Jefte Fernando de Amorim Barbosa analisam o processo de construção do podcast Ganhando Asas, protagonizado por jovens com Down, avaliando os possíveis impactos sobre os atores envolvidos. Na visada da produção audiovisual, o trabalho Uma Análise da Representação da Personagem Arlequina no Cinema, de Guilherme Machado da Rocha, Nathalia Pitol e Milena Carvalho Bezerra Freire de Oliveira-Cruz, faz uma análise comparativa, com enfoque na representação da personagem Arlequina, em suas duas aparições no cinema, nos filmes Esquadrão Suicida (2016) e Aves de Rapina (2020), evidenciando diferenças e semelhanças entre as obras e a maneira como a figura feminina é produzida.

Em um esforço reflexivo sobre práticas de comunicação estratégica, Gabriela Pereira Machado, Julian Andrey Muniz de Medeiros, Nathalia Pitol e Janderle Rabaiolli apresentam Marca e Construção de Sentido: Exercitando a Criação a partir do Percurso Gerativo de Sentido, com uma discussão sobre o processo de construção da marca para a série 3021, do gênero sitcom. Ainda na perspectiva do branding, Natália Paszinski de Almeida e Diego Wander da Silva, em Mapeamento de Estratégias de Gestão, Relacionamento e Branding: Adotadas Pelas Marcas Durante a Pandemia de Covid-19, refletem sobre gestão de marcas e expectativas dos públicos, no momento atual. Já em Diversidade e Inclusão de Pessoas Negras nas Organizações: Desafios na Perspectiva da Comunicação com Empregados, Andressa Tassinari Alves e Diego Wander da Silva discutem a problemática do racismo e seus impactos na sociedade brasileira, ponderando sobre alguns desafios relacionados à diversidade e inclusão de pessoas negras nas organizações.

Nos estudos que abordam mais diretamente o ambiente digital, Giselly Barata e Riverson Rios, em Espetacularização, Direito à Saúde e Redes Sociais: A Comunicação do Governador Helder Barbalho (PA) no Twitter Durante a Pandemia da Covid-19, investigam a comunicação pessoal do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), em sua conta oficial do Twitter, durante a pandemia de covid-19. Na sequência, Gabriela Santos Pereira, em Racismo e as Microagressões Raciais no Ambiente Digital, enfoca as conversações dos usuários do Twitter sobre a hashtag #vidasnegrasimportam. No artigo Espetáculo Ético: Uma Proposta de Comunicação Progressista para Ambientes Sociodigitais, Gabriel dos Santos Pimentel aborda a produção de obras audiovisuais que trazem, de forma atrativa e mobilizante, temas políticos pertinentes ao contexto brasileiro em ambientes digitais. Os autores Thaisa Mirella Duarte Cruz Martins Coêlho Falcão e Romulo Fernando Lemos Gomes, no trabalho A Comunicação Digital no Terceiro Setor: o Uso das Mídias Digitais Pelo Instituto Maranhão Sustentável apresentam um estudo de caso sobre o uso do Instagram e do Facebook pelo Instituto Maranhão Sustentável. Em Religião e Tecnointerações: Apropriação da Tecnologia na Prática do Budismo de Nichiren Daishonin da Soka Gakkai Durante a Pandemia de Covid-19 em Santarém – PA, Paola Bianca Miranda Dutra, Sérgio Gabriel Baena Chêne e Talita Cristina Araújo Baena buscam compreender como a pandemia da covid-19 afetou as atividades religiosas dos membros do budismo de Nichiren Daishonin da Brasil Soka Gakkai Internacional (BSGI) na cidade de Santarém, no oeste do Pará.

Esta edição traz ainda uma entrevista, A Cultura do Cancelamento e Suas Facetas: Justiça Social, Intransigências e Disputas Narrativas, que foi concedida por Issaaf Karhawi à Bianca Dias da Hora e Milena Fagundes Martins, e que trata sobre algumas proposições e caminhos para se pensar a cultura do cancelamento, a partir dos estudos em comunicação digital.

A diversidade e amplitude dos trabalhos evidenciam que a Iniciacom somente se realiza com a colaboração de muitos apoiadores, que não medem esforços para a entrega de cada edição desta revista. Nossos agradecimentos mais sinceros aos parceiros que integram este projeto coletivo, que é feito sempre com muita dedicação e carinho. Que sigamos com nossa fé inabalável no futuro que nossos jovens pesquisadores nos apresentam e na potência transformadora de suas reflexões.

Desejamos uma ótima leitura a todos e todas!

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