A VIGÉSIMA

Fábia Pereira Lima

Resumo


Apresentamos a Vigésima Edição da Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação Social (INICIACOM) que traz onze trabalhos de estudantes em suas incursões pela pesquisa científica e que demonstra o vigor e a multiplicidade de olhares que conformam essa importante área da comunicação social.

Na vertente dos trabalhos que investigam as práticas jornalistas, Thamires de Souza Trindade Silva e Kátia Zanvettor Ferreira, no artigo Análise da reportagem do Fantástico sobre a morte da vereadora Marielle Franco, trazem reflexões sobre a organização simbólica no jornalismo, a partir das categorias Ocultação e Inversão propostas por Abramo (1988), na análise de reportagem do programa Fantástico, em março de 2018, sobre a morte da vereadora Marielle Franco. Em Jornalistas do Vale do Paraíba: um estudo sobre o perfil do profissional em redação, Leonardo Augusto Moraes do Carmo e Kátia Zanvettor Ferreira constroem um perfil dos jornalistas de redação da região do Vale do Paraíba com ênfase na divulgação científica e apontam que o espaço para a editoria ciência na imprensa regional é pequena, dificultando a divulgação científica para a população local. Em Análise: A crítica de arte Jornalística e a agenda cultural em Curitiba, Giovana Lucas analisa se a crítica de arte jornalística tem perdido espaço para a agenda cultural – confundida como um jornalismo de serviço – no contexto curitibano. Temos ainda o trabalho de Amanda Ferreira Medeiros e Vinicius Martins Carrasco de Oliveira, intitulado “Laerte-se” e as potencialidades do documentário jornalístico nas plataformas de streaming, que investiga como o produto sugere formas de produção e circulação de conteúdo que, ao ampliar o debate sobre a temática LGBTQ+, potencializa o gênero documentário.

Seguindo a trilha dos estudos interseccionais, Mayara Veillard Reis, em Real vs. Ficcional: Um estudo sobre a dominação masculina na série The Handmaid’s Tale, analisa como a dominação masculina do contexto ficcional da série se assemelha ao real, através de um recorte de casos presentes em diversos períodos da história. Com o trabalho A Mulher como Prazer Erótico em The Postman Always Rings Twice, Júlia Rios Valdez e Mariana Leite observam como os filmes noir representam a mulher através de um olhar masculino dominante. Lucas Nibbering Alves da Silva e Giovanna Mendonça Cozzetti, em We should all be feminists: o discurso feminista na Moda de Maria Grazia Chiuri para a Dior, analisam as relações entre moda e a temática do feminismo, a partir de mensagem estampada em camiseta que serve tanto para visibilizar e potencializar reivindicações quanto para a manutenção do status quo.

Em Um Pedaço de Madeira e Aço: um estudo semiótico do quadrinho mudo, Leonardo Antônio Fróes Cunha e Naiá Sadi Câmara buscam a identificação do percurso gerativo de sentido na referida obra, levantando questões visuais e pessoais do método de leitura. Já Daniela da Costa Nascimento e Danilo Miranda Caetano, em Utopia e Distopia na Belém de Keoma Calandrini, abordam as representações da cidade de Belém presentes nas ilustrações cyberpunks do artista visual paraense.

Como contribuição aos estudos sobre comunicação digital, Keise Santos Novaes, no trabalho Relações trabalhistas na era digital: progresso ou retrocesso? analisa a atuação dos aplicativos como fonte de renda, a precarização e a falta de regularização do trabalho como grandes dilemas em relação à qualidade de vida dos trabalhadores. Já em Análise de Redes Sociais no Twitter: a polarização na conversação sobre o caso de Mc Reaça, Lisandra Miranda nos apresenta uma análise da rede de conversação dos usuários do Twitter, a partir de um caso envolvendo o cantor Mc Reaça, em 2019, e evidencia a polarização da discussão nesta rede social.

No momento em que esta edição é publicada, o Brasil registra a lamentável marca da perda de mais de 460 mil vidas para a covid-19. No enfrentamento da pandemia, para além das medidas de prevenção individuais e coletivas que transformam nossos modos de vida, vemos a dedicação de uma juventude que encontra nos estudos da comunicação uma oportunidade de refletir sobre questões que afetam nossa experiência de vida comum e de transformar criativamente suas angústias em conhecimento. A defesa intransigente pela educação de nossos jovens pesquisadores, como pressuposto para um futuro melhor para nosso país, deve ser uma batalha de todos e todas. Para cada um que contribuiu para a publicação desta edição da Iniciacom – estudantes, orientadores, pareceristas, editores –, os nossos agradecimentos mais sinceros.


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